Manuel Marques Pereira

(n. 23 de Setembro de 1868 / f. 7 de Julho de 1940)

Manuel Marques Pereira
Sem data, espólio familia Pereira Fontoura

No ano de 2018 completou-se o 150º aniversário do nascimento de Manuel Marques Pereira (1868-1940). Todavia, o seu papel no desenvolvimento do Protestantismo em Portugal e como membro da comunidade de Igrejas dos Irmãos de Plymouth, permanece largamente desconhecido. Nasceu numa família católica de modestíssimas posses, filho de Joaquim Marques Pereira e Maria Marques de Jesus, na pequena freguesia de Ribeira de Fráguas (Albergaria-a-Velha). Juntamente com os seus 6 irmãos e irmãs, ali aprendeu as primeiras letras, passando pelo ofício de ferreiro de seu pai, até que um recrutamento para o exército no final de 1888, o levar de um espaço rural à grande cidade de Lisboa. Combateu na guerra da Lunda (actualmente parte de Angola) por volta de 1897, numa altura em que Portugal disputava parte desse território; a sua bravura valeu-lhe 3 Medalhas Militares atribuídas pelo Estado Português. Regressa a Portugal este 1º Sargento reformado por volta de 1899 e vai instalar-se na freguesia de Silva Escura (Sever do Vouga) onde encontra trabalho como guarda-livros da Companhia das Minas e Metalurgia do Braçal. Casa catolicamente, a 2 de Maio de 1901, com a jovem Matilde de Jesus de origens tão modestas como as suas – desta união gerar-se-iam 4 rapazes e 4 meninas.

O Caminho: Pregoeiro cristão das aldeias, n.º1, 1917, p.1.

Mas a razão pela qual o lembramos como Pregador Cristão das Aldeias, começa a desenhar-se quando se converte numa reunião evangélica decorrida no lugar do Folharido (Sever do Vouga) a 3 de Setembro de 1908, a convite de um outro evangélico de nome Moisés Henriques. Não mais parou, dando testemunho público da sua fé; tanto assim que passou, por estes testemunhos e juntamente com Moisés Henriques, um período de prisão em Sever do Vouga, possivelmente no final de 1908. Escreveu também por 63 vezes entre 1909 e 1910, no periódico Correio de Albergaria, local onde relatava os fundamentos da sua fé Cristã e muitas das aventuras e sustos que viveu nesse processo. Inúmeros Domingos, chegava a casa já depois das dez da noite tendo caminhado através das serras muitas horas entre os lugares do Folharido, Palhal e Senhorinha para pregar. Publicou, a partir de 26 de Março de 1917, um pequeno periódico mensal de 4 páginas, denominado O Caminho: Pregoeiro Cristão das Aldeias e que era uma publicação religiosa, destinada a propagar as verdades contidas nas Sagradas Escrituras, principalmente pelas aldeias (terminou em 1940 com 100 números). Em Junho de 1929, foi o responsável pela organização da 1ª Convenção Evangélica Beira-Vouga, que decorreu no Braçal e que reuniu em assembleia os evangélicos daquela região. Em colaboração com o também evangélico Jaime de Jesus levou a efeito a construção de uma Capela Evangélica na Senhorinha, Sever do Vouga, que foi inaugurada em 14 de Agosto de 1932 e onde hoje funciona a Igreja Evangélica da Senhorinha (Comunhão de Igrejas de Irmãos em Portugal). Por sua antiga casa do Braçal passaram consecutivamente, durante mais de trinta anos, dezenas de evangelistas, pastores, missionários e colportores das cinco partes do mundo e de todos os agrupamentos evangélicos.

João Pedro Meireles TOMÉ

Bibliografia: Tomé, João Pedro Meireles – “Manuel Marques Pereira (1868-1940): Pregador Cristão das Aldeias”. Albergue: História e Património do Concelho de Albergaria-a-Velha. Vol. 6. (2019a). p. 195-206; Tomé, João Pedro Meireles – “Pelo 10º Aniversário da Reabertura da Igreja dos Irmãos na Senhorinha: 109 Anos de Testemunho Evangélico (1910-2019)”. Refrigério: Periódico Trimestral visando a informação e edificação do povo de Deus. Vol. 173. (2019b). p. 15-16.

No ano de 2018 completou-se o 150º aniversário do nascimento de Manuel Marques Pereira (1868-1940). Todavia, o seu papel no desenvolvimento do Protestantismo em Portugal e como membro da comunidade de Igrejas dos Irmãos de Plymouth, permanece largamente desconhecido. Nasceu numa família católica de modestíssimas posses, filho de Joaquim Marques Pereira e Maria Marques de Jesus, na pequena freguesia de Ribeira de Fráguas (Albergaria-a-Velha). Juntamente com os seus 6 irmãos e irmãs, ali aprendeu as primeiras letras, passando pelo ofício de ferreiro de seu pai, até que um recrutamento para o exército no final de 1888, o levar de um espaço rural à grande cidade de Lisboa. Combateu na guerra da Lunda (actualmente parte de Angola) por volta de 1897, numa altura em que Portugal disputava parte desse território; a sua bravura valeu-lhe 3 Medalhas Militares atribuídas pelo Estado Português. Regressa a Portugal este 1º Sargento reformado por volta de 1899 e vai instalar-se na freguesia de Silva Escura (Sever do Vouga) onde encontra trabalho como guarda-livros da Companhia das Minas e Metalurgia do Braçal. Casa catolicamente, a 2 de Maio de 1901, com a jovem Matilde de Jesus de origens tão modestas como as suas – desta união gerar-se-iam 4 rapazes e 4 meninas.

Mas a razão pela qual o lembramos como Pregador Cristão das Aldeias, começa a desenhar-se quando se converte numa reunião evangélica decorrida no lugar do Folharido (Sever do Vouga) a 3 de Setembro de 1908, a convite de um outro evangélico de nome Moisés Henriques. Não mais parou, dando testemunho público da sua fé; tanto assim que passou, por estes testemunhos e juntamente com Moisés Henriques, um período de prisão em Sever do Vouga, possivelmente no final de 1908. Escreveu também por 63 vezes entre 1909 e 1910, no periódico Correio de Albergaria, local onde relatava os fundamentos da sua fé Cristã e muitas das aventuras e sustos que viveu nesse processo. Inúmeros Domingos, chegava a casa já depois das dez da noite tendo caminhado através das serras muitas horas entre os lugares do Folharido, Palhal e Senhorinha para pregar. Publicou, a partir de 26 de Março de 1917, um pequeno periódico mensal de 4 páginas, denominado O Caminho: Pregoeiro Cristão das Aldeias e que era uma publicação religiosa, destinada a propagar as verdades contidas nas Sagradas Escrituras, principalmente pelas aldeias (terminou em 1940 com 100 números). Em Junho de 1929, foi o responsável pela organização da 1ª Convenção Evangélica Beira-Vouga, que decorreu no Braçal e que reuniu em assembleia os evangélicos daquela região. Em colaboração com o também evangélico Jaime de Jesus levou a efeito a construção de uma Capela Evangélica na Senhorinha, Sever do Vouga, que foi inaugurada em 14 de Agosto de 1932 e onde hoje funciona a Igreja Evangélica da Senhorinha (Comunhão de Igrejas de Irmãos em Portugal). Por sua antiga casa do Braçal passaram consecutivamente, durante mais de trinta anos, dezenas de evangelistas, pastores, missionários e colportores das cinco partes do mundo e de todos os agrupamentos evangélicos.

João Pedro Meireles TOMÉ

Bibliografia: Tomé, João Pedro Meireles – “Manuel Marques Pereira (1868-1940): Pregador Cristão das Aldeias”. Albergue: História e Património do Concelho de Albergaria-a-Velha. Vol. 6. (2019a). p. 195-206; Tomé, João Pedro Meireles – “Pelo 10º Aniversário da Reabertura da Igreja dos Irmãos na Senhorinha: 109 Anos de Testemunho Evangélico (1910-2019)”. Refrigério: Periódico Trimestral visando a informação e edificação do povo de Deus. Vol. 173. (2019b). p. 15-16.