António Joaquim de Matos Júnior

(n. 20 de agosto de 1822 / f. 2 de fevereiro de 1891)

António de Matos

Nascido no Funchal, António de Matos foi o primeiro pastor protestante português a exercer o seu múnus em território nacional. Era filho de António Joaquim, da Calheta, na ilha de São Jorge, Açores, e de Helena Luísa de Matos, funchalense. O seu pai teria sido comerciante de vinhos, o que, com outros investimentos, lhe permitiu sustentar a família com um nível de conforto inusitado para a maioria dos madeirenses da época.

A aproximação de Matos às ideias calvinistas ter-se-á dado por influência do médico escocês Robert Kalley, que se fixou no arquipélago com sua primeira esposa em 1838. Matos viria a figurar entre os cinco diáconos ordenados na constituição da primeira igreja presbiteriana portuguesa, a 8 de maio de 1845, tendo William Hewitson como pastor. A fim de se preparar para o exercício da função pastoral partiu para a Escócia no início de 1846, juntamente com Henrique Vieira. Por essa razão, Matos e Vieira já não terão assistido ao tumulto seguido de perseguição a que Kalley e seus seguidores foram sujeitos em agosto de 1846. Após quatro anos de estudos teológicos em Glasgow e Edimburgo com a Igreja Livre da Escócia, António de Matos iniciou a sua carreira ministerial entre as comunidades protestantes madeirenses entretanto deslocadas para os EUA. Começou por organizar a igreja presbiteriana de língua portuguesa a 15 de março de 1850, em Jacksonville. Para além do seu ministério pastoral na igreja daquela cidade e em Springfield, Matos viajou extensivamente nos EUA para promover a causa dos exilados madeirenses naquele país. A 6 de setembro de 1852, Matos casou com Isabella Paterson. Nos anos seguintes o casal viria a ter três filhos: James Paterson, nascido em 1854, Hewitson, nascido em 1856, e Frederic Sandeman, nascido em 1860. Apenas o mais novo seguiu as pisadas do progenitor, tornando-se pastor presbiteriano na Europa. A doença, que entretanto acometeu Isabella, revelar-se-ia mortal em dezembro de 1867.

Em agosto de 1868, Matos resignou ao pastorado da igreja em Jacksonville e em outubro do mesmo ano da comunidade em Springfield; entre as duas resignações, casou a 30 de setembro com a madeirense Maria Vieira. Em julho do ano seguinte nasceu uma filha do casal, Lena, que viria a falecer com apenas 15 anos. Este segundo casamento de António de Matos com Maria Vieira durou, de facto, pouco mais de um ano, pois em meados de 1870 já Matos estava de regresso à Europa com seu filho Frederic, deixando a mulher e a filha nos EUA.

A verdade é que já em 1869 Matos tinha sido contactado pelo pastor da igreja escocesa em Lisboa, Robert Stewart, para o coadjuvar no seu trabalho pioneiro desenvolvido entre os portugueses que se iam convertendo à fé reformada na capital. Foi, pois, em 1870 que António de Matos se tornou pastor em Lisboa; para além do seu trabalho na capital, esteve também alguns meses no Porto com intensa atividade. Após a sua permanência no continente, Matos regressou à Madeira em 1875 para restabelecer a igreja fundada em 1845. Nos quase três anos que Matos passou na Madeira como pastor a situação acabou por não se revelar fácil. Após um período inicial de crescimento da comunidade, começou novamente a alastrar-se a propaganda antiprotestante, o que levou o pastor a pedir proteção do cônsul norte-americano, apelando à sua condição de cidadão americano. Em 1878, Matos regressaria a Lisboa, apesar de nunca mais ter exercido funções pastorais, cidade me que viria a falecer.

Timóteo CAVACO
(Adaptado de Aprender Madeira – Dicionário Enciclopédico online: “Matos, António de”. )

 

Bibliografia: ASPEY, Albert – Por Este Caminho: Origem e Progresso do Metodismo em Portugal no Século XIX; Umas Páginas da História da Procura da Liberdade Religiosa, Porto, Sínodo da Igreja Evangélica Metodista Portuguesa, 1971; CARDOSO, Manuel Pedro – Cristãos Inconformistas: História da Igreja Presbiteriana de Lisboa, Lisboa, Igreja Evangélica Presbiteriana de Lisboa, 2008; [CASSELS, Diogo] – A Reforma Catholica em Portugal, Porto, s. n., 1906; FERNANDES, Ferreira – Madeirenses Errantes, Lisboa, Oficina do Livro, 2004; LANGUM Sr., David J. – António de Mattos: Um Pioneiro Protestante, Lisboa, Igreja Evangélica Presbiteriana de Portugal, 2009; TESTA, Michael P. – O Apóstolo da Madeira: Robert Reid Kalley, Lisboa, Igreja Evangélica Presbiteriana de Portugal, 2005.

Nascido no Funchal, António de Matos foi o primeiro pastor protestante português a exercer o seu múnus em território nacional. Era filho de António Joaquim, da Calheta, na ilha de São Jorge, Açores, e de Helena Luísa de Matos, funchalense. O seu pai teria sido comerciante de vinhos, o que, com outros investimentos, lhe permitiu sustentar a família com um nível de conforto inusitado para a maioria dos madeirenses da época.

A aproximação de Matos às ideias calvinistas ter-se-á dado por influência do médico escocês Robert Kalley, que se fixou no arquipélago com sua primeira esposa em 1838. Matos viria a figurar entre os cinco diáconos ordenados na constituição da primeira igreja presbiteriana portuguesa, a 8 de maio de 1845, tendo William Hewitson como pastor. A fim de se preparar para o exercício da função pastoral partiu para a Escócia no início de 1846, juntamente com Henrique Vieira. Por essa razão, Matos e Vieira já não terão assistido ao tumulto seguido de perseguição a que Kalley e seus seguidores foram sujeitos em agosto de 1846. Após quatro anos de estudos teológicos em Glasgow e Edimburgo com a Igreja Livre da Escócia, António de Matos iniciou a sua carreira ministerial entre as comunidades protestantes madeirenses entretanto deslocadas para os EUA. Começou por organizar a igreja presbiteriana de língua portuguesa a 15 de março de 1850, em Jacksonville. Para além do seu ministério pastoral na igreja daquela cidade e em Springfield, Matos viajou extensivamente nos EUA para promover a causa dos exilados madeirenses naquele país. A 6 de setembro de 1852, Matos casou com Isabella Paterson. Nos anos seguintes o casal viria a ter três filhos: James Paterson, nascido em 1854, Hewitson, nascido em 1856, e Frederic Sandeman, nascido em 1860. Apenas o mais novo seguiu as pisadas do progenitor, tornando-se pastor presbiteriano na Europa. A doença, que entretanto acometeu Isabella, revelar-se-ia mortal em dezembro de 1867.

Em agosto de 1868, Matos resignou ao pastorado da igreja em Jacksonville e em outubro do mesmo ano da comunidade em Springfield; entre as duas resignações, casou a 30 de setembro com a madeirense Maria Vieira. Em julho do ano seguinte nasceu uma filha do casal, Lena, que viria a falecer com apenas 15 anos. Este segundo casamento de António de Matos com Maria Vieira durou, de facto, pouco mais de um ano, pois em meados de 1870 já Matos estava de regresso à Europa com seu filho Frederic, deixando a mulher e a filha nos EUA.

A verdade é que já em 1869 Matos tinha sido contactado pelo pastor da igreja escocesa em Lisboa, Robert Stewart, para o coadjuvar no seu trabalho pioneiro desenvolvido entre os portugueses que se iam convertendo à fé reformada na capital. Foi, pois, em 1870 que António de Matos se tornou pastor em Lisboa; para além do seu trabalho na capital, esteve também alguns meses no Porto com intensa atividade. Após a sua permanência no continente, Matos regressou à Madeira em 1875 para restabelecer a igreja fundada em 1845. Nos quase três anos que Matos passou na Madeira como pastor a situação acabou por não se revelar fácil. Após um período inicial de crescimento da comunidade, começou novamente a alastrar-se a propaganda antiprotestante, o que levou o pastor a pedir proteção do cônsul norte-americano, apelando à sua condição de cidadão americano. Em 1878, Matos regressaria a Lisboa, apesar de nunca mais ter exercido funções pastorais, cidade me que viria a falecer.

Timóteo CAVACO
(Adaptado de Aprender Madeira – Dicionário Enciclopédico online: “Matos, António de”. )

 

Bibliografia: ASPEY, Albert – Por Este Caminho: Origem e Progresso do Metodismo em Portugal no Século XIX; Umas Páginas da História da Procura da Liberdade Religiosa, Porto, Sínodo da Igreja Evangélica Metodista Portuguesa, 1971; CARDOSO, Manuel Pedro – Cristãos Inconformistas: História da Igreja Presbiteriana de Lisboa, Lisboa, Igreja Evangélica Presbiteriana de Lisboa, 2008; [CASSELS, Diogo] – A Reforma Catholica em Portugal, Porto, s. n., 1906; FERNANDES, Ferreira – Madeirenses Errantes, Lisboa, Oficina do Livro, 2004; LANGUM Sr., David J. – António de Mattos: Um Pioneiro Protestante, Lisboa, Igreja Evangélica Presbiteriana de Portugal, 2009; TESTA, Michael P. – O Apóstolo da Madeira: Robert Reid Kalley, Lisboa, Igreja Evangélica Presbiteriana de Portugal, 2005.