Portugal: 500 anos. E agora?

Portugal: 500 anos. E agora?

Fachada da Capela Carlos Alberto, nos jardins do Palácio de Cristal, Porto, onde actualmente é celebrado o serviço religioso da Igreja Luterana de Portugal.

 

Ex.mos Senhores,

O Congresso Um Construtor da Modernidade: Lutero – Teses – 500 anos teve como objectivo reflectir sobre as múltiplas dimensões do movimento da Reforma, suas consequências e a sua influência actual no mundo.

Quinhentos anos depois da afixação das 95 teses por Martinho Lutero, Portugal conhece muito pouco o protestantismo e, em particular, a figura de Martinho Lutero. É sintomático que passados cinco séculos não existam obras de Lutero vertidas para português de Portugal nem tão-pouco uma edição crítica de obras seleccionadas do reformador alemão. Também é de notar a pouca circulação da edição brasileira das Obras selecionadas de Lutero co-editada pela Editora Sinodal e Concórdia Editora, que conta já com 12 volumes.

Até ao presente – e passe a generalização – é comum que a aproximação à figura de Lutero se resuma à obra de Lucien Febvre Lutero, Um Destino de 1928 e traduzida para português quase cinco décadas depois; e a abordagem ao movimento protestante se restrinja ao trabalho de Max Weber A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, com mais de cem anos. Estas obras têm sido lidas, citadas, espremidas, torcidas e torturadas de forma a sustentarem as mais diversas teses, longe das ideias originais dos seus autores.

Este congresso poderá ser considerado pela comunidade científica um momento simbólico de marcação de uma efeméride ou, em alternativa, o lançamento de uma nova perspectiva de estudo, aproveitando as intervenções de investigadores portugueses e estrangeiros. As comunicações apresentadas ao longo destes três dias que serão reunidas em Actas, provam que a reflexão sobre a Reforma Protestante do século XVI é muito mais profunda quando se analisam as obras dos reformadores quinhentistas, quando se tem em conta a reflexão de séculos empreendida na Europa e Américas e, como vimos, quando se analisam as fontes primárias existentes em Portugal.

Este é um desafio lançado neste congresso. Cabe agora a todos e a cada um fazer a sua escolha.

P’la Sociedade Portuguesa da História do Protestantismo,

Lisboa, no dia de S. Martinho e no 564.º aniversário do baptismo de Martinho Lutero.

Rúben Baptista de OLIVEIRA
Discurso proferido na Cerimónia de Encerramento do Congresso Construtor da Modernidade: Lutero – Teses – 500 anos.
Lisboa, 11 de Novembro de 2017